COLUNA - 'QUEM FOI'

PARTE V

SILVEIRA COELHO

19/10/1930

14/12/2000

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Antônio José da Silveira Coelho nasceu em Piracicaba e faleceu em Rio Preto. Foi o precursor de shows sertanejos em festas juninas, comandando inúmeras apresentações de duplas sertanejas no Automóvel Clube, Monte Líbano, Palestra E.C., Recinto de Exposição, Cidade da Criança e no Campo do América. Iniciou sua carreira no rádio em 1943, aos 15 anos, na Rádio PRB-8, onde atuou de 1945 a 1974. Incialmente no setor de cobranças até o primeiro contato com o microfone, em 1950. Em 1951 realizou o sonho de ter um programa sertanejo, tendo como companheiro Júlio Gonçalves Filho, o Preto Velho. Trabalhou também na Rádio Cultura, Rádio Difusora de Mirassol, Rádio Piratininga, Rádio Brasil Novo e Rádio Onda Nova FM. Foi apresentador do programa Porteira do 8 e Luar do Sertão na TV Rio Preto, Canal 8 e também na TV Record nos anos 1970 com Jaborã, Gentil Rossi, Gauchinho, Cuiabano, Firmino, Preto Velho e Capitão Furtado (Ariovaldo Pires). Antes de atuar no rádio foi jogador de futebol amador pelo América Futebol Clube, Bancários e Texas F.C. Foi também vereador da Câmara Municipal de Rio Preto de 1960 a 1963, de 1969 a 1972 e 1974 (suplente para a Legislatura de 1973 a 1976 assumiu de 30/08 a 30/09/1974). Foi ainda segundo-secretário da Câmara Municipal de 1961 a 1962. 

SYLVIO CALABREZZI

26/02/1916

21/04/1987

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Diretor de Cinema e alfaiate, Sylvio Calabrezzi nasceu em Pindorama em 26 de Fevereiro de 1916 e morreu em Rio Preto no dia 21 de Abril de 1987. Foi vereador da Câmara Municipal de 1952 a 1955 e de 1956 a 1959, assumindo como titular em 12 de Novembro de 1959 na vaga de Sebastião de Almeida Sobrinho, que renunciou ao mandato. A partir de 1956 adquiriu de Luis Carlos Spínola Castro a empresa de Cinema Cometa Filmes, registrando os acontecimentos políticos, sociais, culturais e esportivos da cidade e região, nas gestões de Philadelpho Gouvêia Neto, Alberto Andaló, Lotf João Bassitt, Adail Vettorazzo e Wilson Romano Calil, até 1975 quando encerrou as atividades. Os documentários eram exibidos antes das sessões dos cinemas e eram produzidos e dirigidos  pelo próprio Calabrezzi, além de escrever os  roteiros, até início da década de 1960, sendo sucedido por  Dinorath do Valle e Waldner Lui. O acervo foi adquirido pela Prefeitura Municipal, em fins de 1983 e incorporados ao patrimônio do Arquivo Público Municipal. Seus originais estão depositados e preservados na Cinemateca Brasileira. Em 1984 alguns destes filmes foram reproduzidos em vídeo, tecnologia disponível na época. Foi diretor e conselheiro do Rio Preto E.C.. É nome de rua no Jardim Belo Horizonte.

TEIXEIRA MENDES

20/01/1940

08/09/2008

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Filho do comerciante Antônio Teixeira Mendes, da Casa Mendes, que funcionava na Rua XV de Novembro entre as ruas Marechal Deodoro e Silva Jardim, Tonico começou a desenhar e a pintar ainda bem criança, rabiscando histórias em quadrinhos, criando heróis de ficção, baseado e influenciado pelo Flash Gordon e os velhos heróis do “ban désir”, como fala o francês. Antonio Sebastião Teixeira Mendes nasceu em Rio Preto no dia de São Sebastião e trabalhava no balcão com seu pai. “Tinha papel à vontade, onde eu rabiscava pros clientes. Eu tentava fazer caricaturas, mas num desenho mais primitivo. Depois, freqüentei grandes escolas e mais tarde fui pra São Paulo”, dizia Tonico. Um dia, seu irmão Gabriel convidou-o para ir com ele para o Rio de Janeiro onde prestaria exames para Escola de Advocacia. Tinha 18 anos. Nunca mais voltou. Freqüentou a escola de Belas Artes e desenhava com os grandes mestres, como Di Cavalcanti. Tornou-se um deles. Morou também cinco anos em Paris e freqüentava todas as cenas da boemia do tempo dos artistas. Ultimamente passava oito meses por ano nos Estados Unidos.  É reconhecido em todo mundo como um dos maiores pintores brasileiros, tendo quadros adquiridos por Paul MacCartney e o Príncipe Charles.

TELMO MAIA

23/05/1926

08/04/1992

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Quando foi deflagrado o Golpe Militar de 1964, muitos rio-pretenses foram presos e taxados de “comunistas”. O líder da Comunidade Negra de Rio Preto, Aristides dos Santos, foi um deles. Foi preso logo nas primeiras horas da manhã. Comunista de fato era Telmo Maia. Ele era representante do Partido Comunista Brasileiro (PCB) em Rio Preto no final dos anos 1950 e nos anos 1960, durante o período da Clandestinidade, com formação política e ideológica na União Soviética. Esteve preso durante o golpe militar de 64 e auxiliou na formação de vários sindicatos de trabalhadores no período que antecedeu o movimento militar de 1964, disfarçando sua atividade política e clandestina como vendedor de livros. “Livreiro”, assim gostava de ser chamado. Telmo Maia nasceu em Vitória, ES e faleceu em Rio Preto. É fundador da Livraria Planalto, na Galeria Bassitt, uma das mais tradicionais de Rio Preto. Sua filha, Márcia Maia Ramos largou a medicina para levar em frente o sonho de seu pai. Telmo foi presidente da Fundação Faculdade de Medicina de S. J. Rio Preto (Funfarme) de 1979 a 82, membro do conselho da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) e diretor do Palestra EC de 1977 a 1979. É nome de rua no bairro São José do Rio Preto I.

THOMAZ CORRÊA MASCARO

12/12/1914

12/02/1986

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Nascido em Casa Branca, interior de São Paulo, Thomaz Corrêa Mascaro formou professor na escola normal, na sua cidade natal. Mas a capital era um objetivo a ser alcançado e já na década seguinte ingressava na carreira de Funcionário Público Estadual, como auditor fiscal, na Secretaria da Fazenda Estadual. Em 1942 foi transferido para São José do Rio Preto, também na função de auditor fiscal, trabalhando até 1962, quando foi nomeado Inspetor Fiscal. Teve inúmeras chances de alcançar postos mais altos, com transferências para cidades da região e até voltar para a regional, na capital do estado. Mas o amor que adquiriu pela cidade, pelo América Futebol Clube e as danças no Rio Preto Automóvel Clube, todos os finais se semana, com a esposa Cida, falaram mais alto. Aposentou-se em 1976, morando até o fim dos seus dias na Vila Santa Cruz. Morreu numa quarta-feira de cinzas, depois de quatro dias de folia, no carnaval do Rio Preto Automóvel Clube. O amigo e colunista social César Muaniz escreveu em sua coluna: “Mascaro morreu como queria: de Festa”.

TIO NICO

10/08/1933

19/12/1993

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Mais do que um enfermeiro; quase um médico, um curandeiro. Assim muitos tentavam designar Antônio Sutto, mais conhecido com “Tio Nico”. Nascido em Neves Paulista e criado em Mirassol, Nico morreu de isquemia cerebral em Santa Fé do Sul-SP. Mas foi em Rio Preto que ganhou fama entre os jogadores do América F.C. e toda população. Em casa ou nos vestiários do Estádio Mário Alves Mendonça, atendia inúmeras pessoas, inclusive da região, com problemas de coluna, artroses, bicho de pé, simples entorses e inúmeras outras doenças. Era um homem muito querido, dizia sua ex-esposa Célia. Massagista do América desde 1958, Nico começou com a carreira de enfermeiro na Santa Casa de Misericórdia de Rio Preto, transferindo-se depois para o recém inaugurado Pronto-Socorro Municipal, na Vila Ercília. Lá, fez de tudo. Atendia de simples bebedeiras da madrugada até partos emergenciais. No América, sua paixão, era o ombro amigo, o conselheiro dos jogadores e o pai dos meninos iniciantes que vinham de toda região. “Trabalho para o América por amor e idealismo. Não ligo para a parte financeira. Trabalho para o América em qualquer tempo. Ganhando ou sem ganhar, trabalho com dedicação” dizia. Birigui, Seu Juva, Tio Nico. A santíssima trindade do amor ao América F.C.

TONINHO HOMSI

20/01/1938

09/10/1992

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Nascido e falecido em Rio Preto, Antônio Homsi Filho formou-se engenheiro pela Universidade Mackenzie, em São Paulo, em 1964. Foi fundador-diretor da Hopase Empreendimentos e Participações e da Associação das Empresas de Construção Habitacional de Baixa Renda do Interior do Estado de São Paulo, em 1970, com Romeu Patriani e Lino Seixas. Juntos foram um dos maiores responsáveis pelo processo de verticalização e modernização da cidade, construindo inúmeros edifícios residenciais como o Di Cavalcanti, Portinari, Michelangelo, Piazza de Fiori, Mônaco, Leonardo da Vinci e Maestro Vila Lobos; comerciais como as unidades do Sesc/Sesi/Senai/Senac, em mais de 10 cidades do interior e agências bancárias, como a do Bamerindus, Banco Itaú, Bradesco e Banespa (em Rio Preto e em mais16 cidades). Loteador do Jardim Aclimação, construiu conjuntos habitacionais por mais de 10 cidades. Foi conselheiro da Associação Comercial, vice-presidente do Sinduscon e diretor da Arecon. Mas a sua paixão foi o Automóvel Clube. Foi Diretor de Obras, presidente de 1977 a 79 e de 1991 a 92; presidente do Conselho de 1981 a 1989. Sempre acompanhado dos músicos Manivela ou Roberto Farath, Toninho fazia nas horas vagas o que mais gostava: cantar. Um apaixonado por tudo que fazia.

VANDECA

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Carmélia Dalva Lombardi, a Vandeca, foi uma das figuras mais folclóricas de nossa cidade. Nascida em Porto Feliz, depois de uma passagem por Olímpia e Guaraci, Vandeca veio para Rio Preto e aqui começou com seu jeito diferente de ser, a fazer parte do cotidiano desta terra e conquistou com sua simplicidade um lugar na história desta cidade. Era casada e mãe de 16 filhos, dez dos quais, dizia ela, morreram por motivos de doença e dois assassinados. Em Icem, chegou a “trabalhar” no rádio, cantado músicas de Roberto Carlos. Em Guaraci apresentava-se na Rádio Bandeirantes, que não passava de um serviço de auto-falantes, instalado na praça central. Foi aí, diz ela, que surgiu o apelido de Vandeca. Na época a cantora Wanderléia fazia grande sucesso e Carmélia cantava alguns de seus sucessos. Muitas surras e ameaças de morte acabaram levando Carmélia a separar-se do seu marido e vir para Rio Preto. Aqui, tornou-se presença obrigatória nos desfiles de 07 de Setembro, com seus medalhões no peito. Dizia que era da Polícia Federal e que mandava na cidade mais que o prefeito. Fez grandes amizades importantes e se auto proclamava namorada do radialista Marcelo Gonçalves, seu grande amigo. Morreu com provavelmente 57 anos e seu corpo foi velado no cemitério São João Batista.