COLUNA - 'QUEM FOI'

PARTE IV

PAULO MOURA

15/07/1932

13/07/2010

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“Paulo Moura promoveu uma ‘Confusão Urbana, Suburbana e Rural’ (uma referência a um de seus discos) na música instrumental brasileira, misturando carimbó, gafieira, coco, choro, lundu e samba de roda”. Um mestre... Disse Hermeto Paschoal, seu amigo e parceiro de longa data. Paulo Moura nasceu em Rio e Preto e faleceu no Rio de Janeiro. Filho de uma família de músicos, Paulo ganhou do pai sua primeira clarineta aos 11 anos de idade. Já aos 14 anos tocava no conjunto de seu pai em bailes pela cidade e região. Em 1945, a família toda foi para o Rio de Janeiro e Paulo, com todo seu talento, foi fazendo nome na música carioca. Tocou com os maiores nomes da música brasileira, entre eles, Dalva de Oliveira, Ary Barroso, Elis Regina e Radamés Gnatalli.  No inicio dos anos de 1960, participou do célebre “Concerto no Carnegie Hall”, ao lado do Sexteto de Sérgio Mendes, quando foi “apresentado” ao mundo do Jazz. Não parou mais. Gravou 40 discos e participou dos maiores momentos da música brasileira. Da Bossa Nova ao movimento mineiro “Clube de Esquina”, com Milton Nascimento, o qual foi o regente da orquestra. Em 1997 foi criado em Rio Preto o “Festival Internacional Paulo Moura”. Uma justa homenagem ao nosso maior gênio da música.

PEDRO MORENO

02/01/1926

17/01/2005

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A alegria de viver, a convivência dos amigos, a música de nostalgia e, certamente, a boemia, fizeram de Pedro Gonzáles Moreno uma pessoa inesquecível para todos que conviveram com ele. Nascido em Monte Verde, interior de São Paulo e falecido em Rio Preto, Perico, como era mais conhecido, foi comerciante no ramo de eletrodomésticos, instalando várias lojas pela cidade. Era também um apaixonado e um dos maiores entusiastas pelo jogo de xadrez. Foi vice-campeão do Interior do Estado de São Paulo, em equipe, em 1955 e quinto melhor enxadrista do Estado naquele ano. No esporte, ainda foi representante de Rio Preto nos Jogos Abertos do Interior de 1955 a 72; um dos fundadores do Clube Municipal de Xadrez em 1967 e seu primeiro vice-presidente; diretor de Xadrez do Rio Preto Automóvel Clube e do Clube Monte Líbano. Foi conselheiro da Associação Comercial de 1980 a 84; vice-presidente da Associação dos Revendedores de Eletrodomésticos do Interior do Estado de São Paulo. Atuou também na política, sendo vereador de 1948 a 51 e presidente da Câmara Municipal de Cajobi, em 1949. O Bar do Lopes (Clube dos 18), na Rua Antônio de Godoy e sua chácara em Engenheiro Schimidt foram seus lugares preferidos. Deixou saudade.

RENATO PEREZ

10/11/1928

10/09/1999

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Houve um tempo que se você dissesse, em qualquer cidade do Brasil, que era de Rio Preto, certamente iria ouvir: Ah! A terra do grande Renato Perez! Eleito pela Ordem dos Músicos do Brasil por 11 anos consecutivos o maior sax barítono do Brasil, premiado como o melhor músico do ano no Clube Federal, no Rio de Janeiro, em 1972, Renato se tornou uma lenda do interior e conhecido em todo o país. Nascido em Ibirá, fundador da Orquestra Marajoara, de Catanduva, de 1951 a 1953; integrante da Orquestra da Rádio Nacional, de São Paulo, regida pelo maestro Osmar Milani, de 1958 a 1960, Renato fundou sua própria Orquestra: a Renato Perez e sua Orquestra, em 1960, considerada a maior Orquestra de Baile do Interior. Foi integrante também da Orquestra do maestro Enrico Simonetti, em São Paulo, em 1961 e da Banda Veneno, do Rio de Janeiro, regida pelo maestro Erlon Chaves, da Orquestra Élcio Alvarez, São Paulo, 1971 a 1972 e da Orquestra do Maestro Zezinho, em 1982. Gravou seis discos solos. Paulo Moura, se amigo, exigiu que Renato Perez fizesse o show de abertura do Festival Paulo Moura, realizado em Rio Preto,em 1998.  Acompanhado do maestro e pianista Luis Carlos Ribeiro, Renato emocionou a todos. Foi sua última apresentação. 

ROBERTO SOUZA

05/10/1929

03/12/2002

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Radialista e músico, Arnulfo de Souza Freire nasceu em Januária-MG.  Adotou o nome artístico Roberto Souza e se tornou um dos maiores locutores de rádio de toda a história do rádio rio-pretense. Iniciou a carreira no início dos anos de 1950 na rádio PRB-8 e atuou por 28 anos na rádio Independência. Nos últimos anos de vida atuou na Rádio Brasil Novo, sempre com o programa “Roberto Souza, o dono da noite”, sucesso absoluto entre os taxistas, trabalhadores noturnos e saudosistas de toda a cidade. Com o prefixo “Skokian”, de Bert Kaemperf, anunciava as atrações de seu programa diário: Silvio Caldas, Francisco Alves, Carlos Galhardo, Anísio Silva, Dalva de Oliveira e Nelson Gonçalves, seu ídolo maior. Mesmo com pedidos ao vivo, se negava veemente a tocar artistas da nova geração: “Por favor, não me peçam Cazuza e Lobão”, dizia, sempre com muita educação. Como cantor, iniciou a carreira em 1942, na Rádio PRB-8 e atuou nas Orquestras Paratodos e Marajoara. Por várias vezes foi candidato a vereador, uma de suas maiores frustrações. Mesmo com tanto prestígio, nunca conseguiu se eleger. Na abertura do programa, na segunda-feira, após as eleições, demonstrava toda sua indignação e ingratidão: “Mais uma vez, traído pelas urnas...”. 

ROMEU FAVA

03/03/1913

01/06/1987

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Rio Preto, no início da década de 60, não tinha mais que 60.000 habitantes. Aos jovens o futebol, as lambretas e o footing da Rua Bernardino. Na contramão, um grupo de jovens, interessados em cultura, encontra em um bancário aposentado, uma voz orientadora. Nascido em Amparo, Romeu Fava veio ainda menino para Rio Preto. Na década de 30, começa a trabalhar no Banco Comercial do Estado de São Paulo, até aposentar-se, como chefe da carteira de cobranças. Formou-se em contabilidade na Escola D. Pedro II. Casou-se em Rio Preto, em 1939, com Maria Luiza Barretto Fava. Teve quatro filhos. Foi um homem de hábitos muito simples, apesar do seu refinamento e gosto artístico, especialmente da música. Lia incansavelmente, muitas vezes um livro durante uma noite inteira. Considerado um dos primeiros colecionadores de discos da cidade, conseguia "estar em dia" com o que havia de novo em matéria jazzística (sua predileção) "garimpando" discos na antiga Loja Pery. Sua casa era ponto de encontro. Com a vinda da Faculdade de Filosofia para Rio Preto, corriam para lá estudantes, que ficavam horas a ouvir música, falar sobre arte, tudo permeado com os cafés e chás que a "Dona Maliza" sempre preparava. O "seo" Romeu parecia não envelhecer. Faleceu em Rio Preto aos 74 anos de idade.

RUPEN KUYUMJIAN

10/01/1951

11/09/2006

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“Era difícil achar um defeito nele. Ele não tinha inimigos. Tinha uma generosidade natural, sem retoques ou lapidações. Era tanta que até constrangia os amigos. Não se saía de sua casa sem algum mimo, alguma lembrança ou algo para comer”, diz o primo, o neurologista João Aris Kouyoumdjian. Filho de Nichan e de dona Arica, Rupen Kuyumjian nasceu e cresceu no quarteirão armênio da cidade, entre as ruas Tiradentes e Siqueira Campos, nos fundos da Casa Real, de propriedade da família. Estudou no Cardeal Leme, Senac e Colégio Alberto Andaló. Formou-se dentista na Faculdade de Odontologia de Lins, em 1976. “Foi um dentista que exerceu a profissão na sua plenitude, respeitado pelos clientes e pela classe”, diz o amigo e parceiro de clínica, o dentista Elias Kassis. Durante todo o ano, Rupen e um grupo de amigos arrecadavam mais de 10 mil brinquedos que, na época do natal, seria distribuído nos bairros mais carentes da cidade. Rupen sofria de doença degenerativa há 18 meses. O velório foi realizado no Cemitério da Ressurreição, na Vila Ercília. Mais de 300 pessoas estiveram presentes no seu adeus. “Ele queria ver os outros bem”, disse o padre Leonildo Pierin, que lhe deu a extrema-unção. Uma pessoal mais do que especial. Único.

SAMY GURAIB

01/08/1916

09/04/1986

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“Massas Ymas  informa! No Pacaembu, Luis Pereira... (pausa) contra. Corinthians 1, Palmeiras 0. Quem não se lembra do Samy Guraib! Os velhos freqüentadores dos estádios do Rio Preto e do América que o digam... Samy marcou época no rádio esportivo, desde o início da Rádio PRB-8, sendo também o pioneiro em serviço de alto falante nos estádios da cidade. Mas teve também uma grande atuação no comércio e na indústria de Rio Preto. Teve Posto de Gasolina na Rua Bernardino com a Delegado (hoje Banco Santander) e Máquina de Café em Cedral. Foi Diretor do Pastifício Rio Preto S/A, na Rua Coronel Spínola, entre Tiradentes e Siqueira Campos e do Laticínios Rio Preto, uma Usina de Pasteurização de Leite e Derivados, vendido posteriormente para a Colar. Fundou com Milton Homsi e Tijo Villanova a Massas Ymas (Samy ao contrário), na Rua Antônio de Godoy (no prédio onde depois funcionaria a Padaria Peter Pão) e um Laticínio em Monte Aprazível, em sociedade com a irmã Geny, com revenda no Mercado Municipal de Rio Preto. Samy ficou viúvo com 4 anos de casado e criou sozinho seus dois filhos, que hoje, com muito dinamismo e seriedade, seguem a profissão que seu pai exerceu com tanta dignidade. Muito querido? É  pouco para designar Samy Guraib.

SÉRGIO SIGRIST

07/08/1928

23/04/1998

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Nascido em Campinas e falecido em Rio Preto, Sérgio Sigrist formou-se em contabilidade, em Campinas, em 1950. Mas foi como diretor da Loja de departamentos “A Regional” que se destacou. Foi, por anos, o responsável pelas decorações da loja em datas festivas. Fez, inclusive, a pedido da Acirp-Associação Comercial e Industrial de Rio Preto (o qual foi conselheiro por muitos anos), a decoração da Catedral de São José, em época de Natal. Foi fundador e primeiro presidente do Clube dos Dirigentes Lojistas (CDL), em 1963. A Regional quis promovê-lo, mandando-o para outra cidade. Não aceitou. Mas ficou muito pouco tempo desempregado. Convidado por José Barbar Cury, Sérgio tornou-se diretor comercial do Jornal A Folha de Rio Preto, de 1961 a 68. Em 1970, assumiu a gerencia administrativa do Clube Monte Líbano, ficando por 10 anos. Como o clube não abre de segunda-feira, a pescaria no Rio Turvo era obrigatória. Foi ainda diretor comercial da Rádio Anchieta, em 1970. Boêmio declarado e apreciador do “rabo de galo”, Sérgio fez parte da maior roda de boemia da cidade: a turma do Super Pão, a padaria que ficava na Rua Coronel Spínola com a rua Silva Jardim. Era torcedor fanático da Ponte Preta. Um homem correto, simples e objetivo.