COLUNA - 'QUEM FOI'

PARTE III

INÁCIO ANTÔNIO GONÇALVES

15/08/1948

21/05/1987

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Uma coleção interminável de camisas de seda coloridas; sapatos de cromo alemão; correntes de ouro pelo corpo; uma barba à Fidel Castro; uma risada poderosa e intensa; a boemia e uma grande paixão pelos prazeres da vida. Assim podemos lembrar de Inácio Antônio Gonçalves. Nascido e falecido em Rio Preto, Inácio fez de sua curta passagem por este mundo uma legião de amigos, com sua personalidade forte e atuante. Escrevente do Cartório de Registro de Imóveis e de Protestos da 2ª Circunscrição, de 1968 a 1983, logo assumiria a direção, atuando principalmente na área de protestos, imprimindo um jeito “caseiro”, ajudando muitas empresas e pessoas físicas de toda cidade a negociar com empresas de fora. Era notório. Em 1981, como vice, candidatou-se a presidência do Palestra E.C.disputando com o presidente em exercício, Norberto Buzzini, que tentava mais uma reeleição, desde 1969. Perdeu por três votos. Onivaldo David Canada, que coordenava sua eleição, pediu recontagem de votos. Inácio ganhou por um voto. Reeleito para o período de 1983/85, Inácio e sua diretoria imprimiu uma nova realidade no clube, sendo lembrado até hoje por sua atuação. Preparava-se para entrar na vida pública, mas sua saúde debilitada interrompeu seu sonho.

J. RAVACHE

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07/04/1985

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J. Ravache chegou à Rio Preto dirigindo um carro do Corpo de Bombeiros, ganho do governo do estado, na administração Alberto Andaló. Nascido em Piracicaba, José Ravache de Camargo aqui se tornou repórter policial do Diário da Região, assinando a coluna “Plantão Policial”. Foi um dos primeiros repórteres policiais a trabalhar regularmente num jornal de Rio Preto. Trabalhou também no rádio no programa “Hora Fantástica”. Sua participação, pra lá de polêmica, com introdução de tiros de revólver, música de suspense e títulos sugestivos. “Beiço mole x magrela”, relatava uma colisão de uma charrete com uma bicicleta, por exemplo. Lia a matéria como se fosse um boletim de ocorrência, com descrições tipo: “José de Oliveira, 44 anos, pardo, amasiado”... Com tiradas tipo “bandido bom é bandido morto” e “vai cheirar sovaco de cobra”, desafiava bandidos a procurá-lo, dando dicas do seu trajeto diário, com paradas obrigatórias em vários bares da cidade, onde tomava o seu “traçado”, uma “mistura explosiva”, dizia. Chapéu de abas largas, terno escuro, colete, gravata borboleta, relógio de bolso, botas com o cano longo recoberto pela calça e um reluzente Smith & Wesson  recheando um coldre de couro preso a um cinturão onde se enfileiravam as balas calibre 38. Um Xerife.

JORDÃO FLEURY NOVAES

20/06/1920

15/01/2010

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Nascido em Itararé, interior de São Paulo, falecido em São Paulo, e sepultado em Piracicaba, Jordão Fleury Novaes foi uma figura antológica da boemia de Rio Preto, principalmente dos anos de 1960, 70 e até início dos anos 1980. O bom humor, a inteligência, a espiritualidade e o senso crítico fizeram dele uma pessoa querida por todos. “Dono de uma verve hilariante que divertia os seus interlocutores, Jordão, até a terceira dose de uísque, era uma dessas figuras que ninguém que estivesse ao seu lado queria perder as delícias de suas considerações”, diz o amigo Nenê Homsi. “Para os filhos foi um pai amoroso e amigo, cheio de ‘causos’ e histórias pra contar, além de cantar muito bem”, diz a filha Suzana. Jordão trabalhou por vinte e cinco anos como caixa no Banco Comercial do Estado de São Paulo, na rua Voluntários de São Paulo esquina da rua Jorge Tibiriçá. Depois foram mais dez anos como gerente da Fábrica de Cerâmica de propriedade de Milton Mendes, quando se aposentou. Era torcedor do América Futebol Clube. Seus lugares preferidos eram: o Rio Preto Automóvel Clube, a Salada Paulista e vários redutos boêmios da cidade. Nelson Batata foi seu grande amigo inseparável.  Deixou um vazio muito grande.

JOSÉ DE OLIVEIRA

01/03/1915

19/05/2001

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Em 1934, os irmãos Osmar, Gerson e Lelo Milani e José de Olivera se juntam para fundar a Orquestra Paratodos, que inicialmente iria tocar somente no carnaval do Rio Preto Automóvel Clube, na sede da Rua Voluntários com a Rua Silva Jardim. Devido ao grande sucesso obtido, a Orquestra foi contratada exclusivamente para animar os bailes do clube nos finais de semana e tocar na Praça Rui Barbosa aos domingos.  Com o ingresso dos músicos Ângelo e Atílio Nicoli, Florindo Mani, Joaquim Calixto, Aristeu Dantas, João Teixeira, Benedito Mariano, Jaime e Tedeschi, a Paratodos ganhou dimensão de Orquestra Sinfônica e caiu na simpatia popular, sendo conhecida também como Jazz Paratodos. Com a saída de Osmar Milani (que se tornaria um dos maiores maestros de todo o país) e de Florindo Mani, que formou sua própria Orquestra, José de Oliveira passou a organizar a primeira Orquestra Sinfônica Municipal em 1939, participando também da sua reorganização, em 1950. Já nesta época começa a trabalhar como técnico de som (sonoplastia) da Rádio PRB-8, cargo que ocupou por trinta anos, até 01/05/1974, quando se aposentou. Nascido em Passos-MG, José de Oliveira faleceu em Rio Preto, sendo sempre lembrado como um dos maiores nomes da nossa música.

LAERTE SANT´ANNA

08/09/1928

28/12/1994

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Poucas pessoas em nossa cidade foram tão queridas, por tanto tempo, como Laerte Sant’anna. Nascido em Santa Branca-SP e falecido em Rio Preto, Laerte foi um dos maiores esportistas de toda nossa história. Jogou Voley, Basquete, Futebol de Salão e futebol de campo, chegando ao profissional pelo Rio Preto Esporte Clube. Doava todo seu salário para o roupeiro Serafim Andrade. Fez história jogando Futebol de Salão pelo Rio Preto Automóvel Clube, desde sua implantação em Rio Preto, no meio da década de 1950, quando Anísio Haddad trouxe de São Paulo o livro de regras e a primeira bola. Acometido pela tuberculose, Laerte ficou internado em Campos de Jordão juntamente com seu colega músico, Milton Mani, que, infelizmente, não se recuperou. De volta, tornou-se técnico da equipe de Salão do Automóvel Clube em vários campeonatos e foi presença marcante no esporte da cidade. Entre as décadas de 1960 e 70, foi diretor esportivo dos clubes Monte Líbano e Automóvel Clube. Na área comercial atuou no ramo de distribuição de gás e transportadora. Gostava de criar layout e marcas. Os bailes carnavalescos, as rodas de samba, os rachas de futebol e o Palmeiras foram suas grandes paixões. Dá nome ao Departamento de Esportes do Clube Monte Líbano.

MAESTRO MÁRIO PEREZ

10/05/1931

17/03/1999

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Por várias décadas, o saxofonista Renato Perez, foi considerado o melhor da música de Rio Preto e o maior em seu instrumento, o sax Barítono, em todo Brasil. Em quanto isto, em Rio Preto, seu irmão Mário Perez mostrava porque foi considerado um dos maiores músicos em toda nossa história. Nascido em Ibirá e falecido em Rio Preto, Mário Perez criou e regeu importantes grupos musicais na cidade, como o Grupo Vocal Municipal (no Teatro Municipal) de 1981 a 1984. Formou e Regeu a Banda dos Médicos, de 1978 a 1980 e organizou a Banda Municipal que estava desativada, em 1980. Como músico, foi integrante da Orquestra Val Paraíso, de 1948 a 1950, da Orquestra Marajoara, de 1951 a 1953, da Pedrinho e Sua Orquestra, de 1954 a 1955, da Renato Perez e Sua Orquestra, de 1955 a 1958, da Orquestra Icaray, de 1959 a 1960, dos Conjuntos Os Modernistas, de 1960 a 1965, Vox VI, em 1966, Super Som Six, em 1965, da Banda Excelsior, de 1966 a 1968; do Conjunto Renato Perez, de 1968 a 1973, do Conjunto AC, de 1974 a 1986, da Banda Esfera Luminosa de 1988 a 1991.  Foi ainda regente do Coral da Telesp de 1982 a 1986. Um dos seus últimos trabalhos foi na Banda Fascinação, de 1994 a 1996, e a participação na Orquestra Sinfônica Municipal de 1992 a 1997.

MÁRIO LONGUI

05/09/1916

22/08/2000

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Músico, violonista e compositor, Mário Longui nasceu em Itapira-SP, em 05 de Setembro de 1916 e morreu em Rio Preto em 22 de Agosto de 2000. Formou a primeira dupla sertaneja rio-pretense com grande sucesso: Flausino e Florêncio entre os anos de 1938 a 1942. Gravaram em 1939 o disco de 78rpm com a música “Saudades de Rio Preto”, uma das primeiras gravações de toda a região. Com esta música iniciaram uma carreira de grande sucesso na rádio PRB-8 e ainda em 1938 se apresentaram na rádio Record, em São Paulo. Formou ainda a dupla Flausino e Hortêncio em 1942, gravando dois discos, também em 78rpm. Integrou a Jazz Paulista em 1931, a Orquestra Paratodos, de Rio Preto de 1936 a 1938, a Orquestra do Cassino de Ibirá; Orquestra do Pedrinho, de Guararapes, em 1946; Orlando e sua Orquestra de 1947 a 1949 e Mário Longui e seu Conjunto, de 1947 a 1965. Acompanhou Silvio Caldas, Orlando Silva, Nelson Gonçalves,  Ângela Maria, e os maiores intérpretes da música brasileira pelo interior do Estado de São Paulo e também em programas de rádio, durante a década de 1950. É autor de inúmeras composições sertanejas e música popular brasileira. A partir da década de 1960 ingressou na Prefeitura Municipal de Rio Preto até aposentar-se, no início da década de 1990.

NELSON BATATA

06/10/1928

26/11/1987

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“Eu sou o samba, a voz do morro sou eu mesmo sim senhor...”, diz o samba de Zé Kéti. E em Rio Preto, a voz do samba foi, sem dúvida nenhuma, Nelson Batata. Nascido em Cedral-SP e falecido em Rio Preto, Nelson de Freitas, o Batata, foi eleito o “cidadão samba” de Rio Preto pelo seu amor e devoção ao gênero musical mais brasileiro de todos. A Escola do Nelson era presença obrigatória nos carnavais de rua que aconteciam na rua Bernardino de Campos. Foi campeã inúmeras vezes do carnaval de Rio Preto e chegou a acompanhar a delegação de natação do Palestra EC, campeã infanto-juvenil do interior, em Santos, em 1954. Como tipógrafo trabalhou na Livraria Giovinazzo. Em 1958, foi dono do bar e restaurante do Rio Preto Automóvel Clube, na sede velha da rua Voluntários de São Paulo esquina com a rua Silva Jardim. A escola nasceu nos fundos da sua sorveteria (que depois viraria bar) na Rua Presciliano Pinto com a  rua Pedro Amaral, na Boa Vista. A partir dos anos de 1970 montou o Nelson Buffet, sua última atividade. Deixou uma legião de amigos e companheiros de samba e boemia. Nelson se tornou uma das pessoas mais inesquecíveis de nossa história. Era só tocar: “Não falem desta mulher perto de mim...” e Nelson chorava. Choramos todos nós a sua falta.