COLUNA - 'QUEM FOI'

PARTE I

DINORATH DO VALLE

10/07/1926

01/05/2004

Ela não foi uma mulher de meias-verdades. E não tinha “papas na língua”. Conheceu os caminhos através da lógica, do raciocínio, da argumentação e da experiência para defender e provar pontos de vista. Dinorath nasceu em Itápolis, São Paulo e faleceu em Rio Preto. Professora, jornalista, historiadora, escritora e roteirista de cinema, Dinorath foi umas das maiores personalidades da história da cidade. Já em 1959 criou o primeiro Salão de Arte Juvenil e foi considerada uma das descobridoras do artista primitivista José Antônio da Silva. Como escritora escreveu os livros “História do Município de São José do Rio Preto para Crianças”, em 1969, “O Vestido Amarelo”, 1976, “Enigmalião, em 1980, “Idade da Cobra Lascada”, em 1982, “Pau Brasil”, de 1985, obra laureada com o Prêmio Casa de Lãs Américas em 1982 em Havana, Cuba, “Totó Piruleta e o Menino do Povo” e “Memórias da Menina do Povo”, em 1985, “Dias Verdes”, em 1989, “Jornais de Rio Preto”, em 1994 e “Monumento à Vida”, em parceria com Walter do Valle em 1997. Tem contos publicados em diversas antologias. Trabalhou nos jornais: Diário da Região, Dia e Noite, A Notícia, A Voz do Povo, Correio da Araraquarense e Folha de Rio Preto. Diretora da Casa de Cultura (que leva seu nome) de 1968 a 1996.

DOUGLAS DE OLIVEIRA

28/04/1932

01/08/1996

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Se o radialista Roberto Souza era “o dono da noite”, Douglas de Oliveira era o rei. Souza dormia cedo... Nascido em Poços de Caldas e falecido em Rio Preto, Douglas foi um dos homens mais conhecidos da noite rio-pretense. Teve vários estabelecimentos comerciais, todos ligados à culinária e a boemia. O primeiro foi a “Casa de Chá Luar de Agosto”, na rua Bernardino de Campos, onde hoje está localizado o Unibanco. Foi o primeiro a receber mulheres em Rio Preto. Paralelamente Douglas tinha também “A Delícia”, também na rua Bernardino de Campos. Uma das casas que mais deixaram saudades nos rio-pretenses. Tocou por muitos anos o bar e restaurante do Clube Monte Líbano e empresa que fornecia refeições para a Cadeia Pública (cadeião). Mas o mais conhecido foi sem dúvida o “Chopão”, à beira da represa municipal, que recebia semanalmente grandes artistas que passavam pela região. Ali também, posteriormente, montou o primeiro rodízio de pizza da cidade: “O Cad’oro”. Seu último estabelecimento foi o “Barril 2000”, na Avenida Andaló, em frente à Prefeitura. Foi embora sem contar o seu maior segredo: como escondia os palitos entre os dedos. Douglas foi o maior jogador de palitos que Rio Preto já viu. Eternamente, o “rei da noite”.

DR. JOÃOZINHO

27/10/1892

03/09/1977

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Um dos homens mais incríveis de toda a história da cidade. Assim podemos dizer de João Deoclécio da Silva Ramos, o Dr. Joãozinho. Nascido em Alagoinha-BA e falecido em Rio Preto, formou-se médico pela Universidade Federal de Medicina da Bahia e começou a sua peregrinação como clínico geral por inúmeras cidades de todo Brasil, até fixar-se em Mirassol, no início da década de 1930. Na sua casa hospedava os maiores escritores do Brasil, como Lima Barreto e Julio Ribeiro, entre tantos. No final da década montou clínica em Rio Preto. Atendendo as colônias de imigrantes italianos, espanhóis, alemães e japoneses, aprendeu todas as línguas, falando e escrevendo fluentemente. Falava também o tupi-guarani. Era consultado frequentemente para designar nomes de cidades. Sua casa, denominada de “Castelinho” era considerada um perfeito zoológico, de tantos animais que criava. Sua biblioteca é considerada até hoje como a maior da cidade. Teve inúmeros afilhados pelo Brasil afora. Foi orador, jornalista, músico (tocava flauta, piston e violino), desenhista e rábula, defendendo os mais necessitados. Foi ainda professor e diretor do IE Monsenhor Gonçalves, Colégio Santo André, Ateneu, Ginásio Riopretano, entre outros. Era reconhecido em todo Brasil.

AMÍLCAR PRADO

04/08/1927

13/07/1989

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Amílcar Senna Prado nasceu em Cruz da Esperança - SP e faleceu em Rio Preto. Foi mais um dos grandes personagens produzidos pelo rádio rio-pretense. Mais conhecido como “Jacaré”, Amílcar atuava no jornalismo esportivo e foi comentarista nos programas esportivos das Rádios PRB-8, Rádio Difusora, Rádio Piratininga, Rádio Independência, Rádio Pan-americana, Rádio Bandeirantes e Rádio Tupi, de São Paulo. Autor da coluna esportiva “Papo do Jacaré” nos jornais Correio da Araraquarense, Diário da Região, A Notícia, Folha de Rio Preto. Foi também correspondente da Gazeta Esportiva, de 1971 a 1988. Atuou também na Televisão, no Programa “Mesa Redonda”, da TV Rio Preto Canal 8, juntamente com Emerson Sumariva, Alexandre Macedo, Anísio Nicoli, João Roberto Curti, entre outros. Com seu enorme e inconfundível óculos, marcou época em nossa cidade. - “Atenção para a Classificação do Campeonato Paulista: em primeiro, Palmeiras 29, em segundo Corinthians 28, em terceiro São Paulo, 27.... em sétimo América 19... Uma pausa e... o resto não interessa! Assim era Amílcar Prado. O Jacaré não tinha papas na língua e nem tão pouco paciência para “paparicagens”, como ele mesmo dizia, se referindo a dirigentes de clubes, políticos e afins. Uma grande figura.

ANÍSIO HADDAD

07/10/1927

06/01/1978

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Anísio Haddad foi uma das pessoas mais carismáticas da sua geração. Um homem que marcou sua época pela coração, dedicação e gosto pelo que fazia. Nascido em Rio Preto e falecido precocemente aos 51 anos de idade, num infarto fulminante, dentro da cabine dormitório do trem de passageiros que o levava para São Paulo, Anísio deixou muita história nestes seus poucos anos de vida. Comerciante e pecuarista, foi diretor da Empresa Telefônica de Rio Preto de 1955 a 1973, expandindo para toda região, até ser desapropriada pelo Ministério das Telecomunicações. Foi também vice-presidente do Grupo Verdi, um dos maiores empreendimentos da cidade, até hoje. Mesmo com tantas atividades, ainda foi conselheiro da Associação Comercial e Industrial de 1960 a 67; presidente do Rio Preto Automóvel Clube, de 1971 a 74, entrando na disputa na última semana da eleição; e do Rio Preto Esporte Clube, de 1969 a 1977. Foi na sua gestão que o clube concluiu o novo estádio localizado na Vila Universitária, que leva o seu nome. Em 1972, foi eleito o homem do ano em Rio Preto. Anísio trouxe, nos anos 50, a primeira bola e o livro de regras do Futebol de Salão para Rio Preto. É nome de avenida que vai do Jardim Morumbi ao Jardim Moysés Miguel Haddad, em Rio Preto.

ANTÔNIO CARLOS BOTTAS

01/11/1943

14/04/1991

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O rádio rio-pretense produziu personagens que marcaram época em nossa cidade. Um deles foi o inesquecível “Veio Tatau”, apresentado pelo jornalista e radialista Antônio Carlos de Oliveira Bottas. Nascido em Salvador, Bahia e falecido em Rio Preto, Bottas foi um dos maiores comunicadores da história do rádio rio-pretense. Iniciou sua carreira na Rádio Independência, em 1962, apresentando um programa caipira, já sob o pseudônimo de Veio Tatau. Atuou também nas rádios Piratininga de 1964 a 1971 e de 1973 a 1974; Independência em 1967 e de 1975 a 1982 com o programa “Hora Fantástica”; Educadora de Fernandópolis em 1974; Clube de Dourados, MS, de 1974 a 1975; Clube de Fronteira, MG, de 1976 a 1983; Brasil Novo de 1983 a 1984 e Centro América, sua última emissora, de 1984 a 1991. Atuou na televisão no programa “Porteira do 8”, na TV Record, onde foi locutor e produtor de 1971 a 1974. No jornalismo impresso atuou como colunista social na Folha de Rio Preto de 1976 a 1982, repórter policial de A Notícia em 1984 e do Jornal Dia e Noite de 1979 a 1981. Integrou o Grupo de Teatro Rio-pretense (GTR) e atuou como ator, juntamente com Roberto Toledo, Fernando Ziroldo e outros no filme curta-metragem “A Trama de Sangue”, com direção de JoãoAlbano. O véio deixou saudade...

ARLINDO MASSI

03/11/1926

21/04/2002

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“O maior ambientalista da região de Rio Preto”. Assim podemos designar Arlindo Massi. Trabalhou 33 anos no Banco do Brasil e foi fundador do Sindicato dos Bancários de Rio Preto. Na década de 1960, assumiu como suplente uma vaga na Câmera de vereadores, sempre combatendo os atentados ecológicos sofridos pelos rios da região. Foi presidente da Associação Regional dos Pescadores Amadores; promoveu inúmeras festas da piracema, campanha de limpeza, denuncia de lançamento de vinhoto ao rio Turvo pelas usinas açucareiras de Catanduva, morte de peixes da represa de Rio Preto, além de apelos pela despoluição do rio Preto, rio Grande, rio Turvo, São José dos Dourados, rio Cubatão e rio Cachoeirinha. Foi cinegrafista e fotógrafo, cobrindo aniversários, casamentos e até filmes de circuito comercial, como “A Trama de Sangue”, o único produzido por aqui, em 16mm. Foi também o Papai Noel mais antigo da cidade. Vestiu-se por mais de 60 anos, distribuindo presentes e comidas, projetando filmes épicos pelas ruas da cidade. Jogou tênis e organizou torneios por mais de cinco décadas no Rio Preto Automóvel Clube. Tudo que fazia, revertia para o natal dos pobres. Um homem inesquecível. Dá nome ao Parque da Represa Municipal. Uma justa homenagem.

ATÍLIO JACINTHO

1918

1996

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O primeiro carro que chegou a Rio Preto foi um Studebeker, de Nagib Gabriel, m 1919. Mas o primeiro serviço volante foi de Atílio Jacintho. “Garoto Propaganda” das Casas Bueno e Casas Pernambucanas, com seu Fordinho 1929, com alto-falante em cima, Jacinto fez história. Em 1966, Milton Homsi, diretor da empresa Satélite Cia. de Amarzens e Silo, fez o maior contrato de publicidade da história com a Rádio PRB-8, para um programa diário, às 6 da manhã, chamado “Satélite no Sertão”. Para o lançamento programaram um grande show, na Praça D.J.Marcondes, no sábado, às 19 horas, com o Trio “Torres, Florêncio e Rielli”, ídolos da música sertaneja. Eduardo Kuyumjian, assessor de comunicação do grupo, só confirmou o trio na sexta à noite. A PRB-8 tentou cancelar. Não havia tempo para divulgação. No sábado de manhã contrataram Jacintho para o serviço. Com seu inseparável Ford, Jacintho percorreu todos os bairros da cidade até minutos antes do início do show. Ninguém acreditava. Pontualmente às 19 horas, Adib Muaniz dá início ao show, com a presença de mais de 15.000 pessoas. A partir da década de 1960, já com um Fusca, adotou o codinome de “Jacintho mata tudo”, vendendo e aplicando produtos de dedetização. Foi também operador de som da Rádio PRB-8.